Novidades sobre a sexualidade masculina

A produção de articulações e movimentos para a saúde do homem no Brasil: a sexualidade como porta de entrada.

RESUMO

Esta pesquisa enfoca a medicalidade da sexualidade masculina no Brasil, enfocando a criação de uma nova farmacologia sexual na virada do século XXI .século, destinado a tratar a disfunção erétil e a chamada andropausa. Destaca a nova ênfase na noção de saúde sexual baseada na auto-realização e no uso de drogas e na promoção do interesse masculino no desempenho sexual como porta de entrada para o tratamento da saúde. homem. A perspectiva teórica baseia-se na análise antropológica das redes sociotécnicas subjacentes a esses processos. Além de entrevistas e um estudo etnográfico de congressos médicos e eventos públicos, a metodologia é baseada em uma pesquisa bibliográfica de registros históricos, materiais divulgados e fontes governamentais.

Homens, sexualidade e bem coletivo

Nas últimas décadas, o Brasil assistiu a um intenso processo de medicalização e farmacologização da sexualidade, centrado na criação de novos recursos tecnológicos, categorias de diagnóstico e formas de intervenção, incluindo a promoção de políticas públicas. Isso acontece em um cenário onde elementos como drogas, empresas médicas, indústria farmacêutica, mídia, consumidores e eventos vão desde a prescrição de medicamentos em uma prática até a promoção de campanhas e criação de programas no sistema público de saúde. Pode ser ilustrado através de um conjunto de iniciativas focadas na promoção do slogan “Saúde sexual como um portal para a saúde humana”. A idéia básica é que os homens, que tradicionalmente negligenciariam sua saúde, poderiam ser atraídos para esse sistema pela atenção à função erétil.

Este trabalho é resultado de pesquisas que visam mapear a criação e a promoção de diagnósticos relacionados ao processo de envelhecimento de homens e mulheres em sua inter-relação com as manifestações associadas à sexualidade, tomando como referência a dimensão das relações de gênero. . 1Nesse sentido, ele investigou como esses novos diagnósticos surgiram no campo médico brasileiro nas últimas décadas. Esta pesquisa, de caráter sócio-antropológico, enfocou a articulação entre diferentes técnicas de pesquisa qualitativa, como observação participante, entrevistas e pesquisa documental. Utilizou a análise de artigos de revistas científicas, sites de sociedades médicas, reportagens, programas de televisão e materiais divulgados na imprensa, além da etnografia de congressos médicos e de campanha, e a entrevistas com profissionais das áreas relevantes.

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Ressalta-se que os estudos que visam historicamente mapear um interesse diferenciado em medicina, em sua reflexão teórica e sua prática cotidiana em relação a homens e mulheres, são muito recentes. Uma visão preliminar mostra que as mulheres têm sido mais visadas pelo conhecimento médico do que os homens, embora nas últimas décadas tenham recebido atenção específica na criação de novos diagnósticos e patologias.

O resultado dessa análise torna-se mais evidente quando contrastamos esse processo recente de medicalização da sexualidade masculina e o grande movimento de intervenção do início do século XX .século, no Brasil, para enfrentar a sífilis e combater, de maneira mais geral, contra as doenças venéreas. A escolha desses dois processos não busca afirmar que eles são análogos, porque a distância histórica e contextual impõe muitas diferenças. No entanto, esta operação analítica destaca a urgência de certas estruturas discursivas que podem ser comparadas de maneira produtiva. Proponho, portanto, que a discussão desses vetores analíticos nos permite refletir com alguma profundidade sobre os processos de medicalização de homens que articulam sexo e saúde através de arranjos razoavelmente precisos em relação a certas concepções normativas implícitas.

No Brasil, o movimento médico-estado contra a sífilis primeiras décadas do XX ° século foi ligada à promoção da moralidade sexual científica ancorada ao auto masculino. O corpo e a sexualidade dos homens têm sido motivo de grande preocupação por causa de doenças venéreas. Em sua análise da luta contra a sífilis neste país, Sergio Carrara (1996) descreve a gigantesca mobilização contra essa doença que, a partir da associação com a degeneração e o enfraquecimento da raça, se tornaria, segundo os médicos de na época, uma ameaça à constituição de uma população saudável e à ordem social.

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